Birra ou dificuldade de autorregulação?
07/2025
Entenda o que está por trás do comportamento do seu filho
Muitos pais já passaram por situações em que seus filhos pequenos fazem o que chamamos popularmente de “birra”. Choro alto, frustração, resistência às regras, gritos ou até agressividade leve. Comportamentos que, à primeira vista, podem parecer desobediência, mas, na verdade, muitas vezes são sinais de que a criança está enfrentando dificuldades para lidar com o que sente.
Esse processo está diretamente ligado a uma habilidade fundamental para o desenvolvimento emocional: a autorregulação.
A autorregulação é a capacidade de controlar emoções, comportamentos e impulsos, além de ajustar ações diante de diferentes situações. Essa habilidade começa a se desenvolver ainda na primeira infância, mas depende da maturação de uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal, que só atinge sua plena funcionalidade por volta dos 25 anos (Diamond, 2013). Isso significa que, sim, crianças pequenas ainda estão aprendendo a se acalmar, esperar a sua vez, lidar com frustrações e usar a linguagem para expressar o que sentem.
No consultório, atuamos com diferentes estratégias para ensinar a criança a se autorregular e lidar com situações que desafiem suas emoções. Para exercitar o autocontrole, por exemplo, recursos visuais simples, como figuras de uma boca e uma orelha, são usados para ajudar as crianças a entender o momento de falar e o momento de escutar. Essa atividade lúdica torna o processo mais acessível para crianças de 3 a 6 anos, ajudando-as a internalizar comportamentos mais organizados e respeitosos.
É importante que os adultos compreendam que a autorregulação não é algo que acontece automaticamente. Ela é construída dia após dia, com repetição, vínculo afetivo e, em alguns casos, apoio especializado. Quando os comportamentos explosivos são muito frequentes ou prejudicam a rotina familiar e escolar, uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a entender o que está por trás dessas reações e indicar o melhor caminho de intervenção. A escuta qualificada e o suporte adequado fazem toda a diferença.
Referências:
Diamond, A. (2013). Executive Functions. Annual Review of Psychology, 64, 135–168.
Harvard Center on the Developing Child (2011). Building the Brain’s “Air Traffic Control” System.
Zelazo, P. D., et al. (2010). The Development of Executive Function in Early Childhood.